50 anos depois, o Professor Eduardo Cavaco, natural de Moura, está de regresso à Escola do Fojo
No âmbito do programa “Cientista Regressa à Escola”, promovido pela plataforma Native Scientist, Eduardo Cavaco regressa à sua escola de infância cerca de 50 anos depois. A iniciativa terá lugar esta segunda-feira, 20 de abril, a partir das 10h30 na Escola Básica do Fojo, em Moura, decorrendo a mesma atividade cerca das 14h00 na Escola Básica da Porta Nova.
Eduardo Cavaco frequentou a Escola Primária do Fojo até ao 4.º ano, na classe do Professor Garradas. Atualmente, é Professor Associado na Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, onde desenvolve investigação na área do ambiente, reprodução e cancro. Leciona Anatomia nos cursos de Medicina e Ciências Biomédicas.
A atividade dirigida aos alunos do 4.º ano inclui uma breve conversa sobre o seu percurso académico e profissional, bem como uma atividade prática intitulada “Virar um coração do avesso”, que permitirá aos alunos explorar, de forma interativa, conceitos básicos de anatomia.
Este projeto tem como principal objetivo promover a literacia científica e estimular o interesse pela ciência entre crianças do 4.º ano, especialmente em contextos educativos mais vulneráveis da região do Alentejo. A iniciativa procura, assim, contribuir para a redução das desigualdades no acesso ao conhecimento científico, incentivando a curiosidade, a experimentação e o desenvolvimento do pensamento crítico.
“A principal mensagem destas oficinas é a de que os cientistas possam voltar à sua escola de origem e levar um bocadinho da palavra ciência, desenvolver algumas experiências e criar o gosto a partir dos alunos do 4º ano. O programa nacional que abrange milhares de crianças no sentido de as despertar para a curiosidade científica, é muito importante nos dias de hoje porque sem ciência o mundo não pula e avança”, salientou o convidado.
O regresso às origens e a um “tempo feliz”, é vivido com muita emoção pelo mourense. “Voltar à Escola do Fojo é voltar a anos de infância, uma infância rica com o Professor Garradas. Há mais de 30 anos que não venho cá”, recordou ao lembrar que em 2026, assinalam-se os 50 anos desde que entrou naquela escola, de alguma forma esta é “uma data simbólica” que merece este momento.
“Voltar e poder trabalhar com as crianças que lá estão num outro contexto e realidade, poder levar também um bocadinho da investigação que eu faço, mas ao mesmo tempo daquilo que eu ensino nos cursos de Medicina e Ciências Biomédicas que é a Anatomia, neste caso em particular, a anatomia do coração. Penso que é um desafio grande para os alunos porque vamos ter mesmo corações frescos, vamos dissecar e aprender um pouco mais sobre a anatomia de um órgão essencial para a vida, saber como é que o podemos manter com hábitos saudáveis, também é esta mensagem de prevenção que é importante começar logo desde tenra idade”, frisou Eduardo Cavaco.
O docente universitário não esquece o que aprendeu com o Professor Garradas, a quem saudou e enviou um “forte abraço”. Lembrou a sala, a turma e um “professor muito especial” que contribuiu para o sucesso escolar do investigador de Moura. “Quando chegámos ao 5º ano do ciclo, nós estávamos muito bem preparados e eu penso que essas bases sólidas da Escola Primária também contribuíram para chegar onde estou hoje, como Professor universitário. Só posso agradecer a até fico um pouco emocionado poder voltar à escola onde tudo começou”.
Além da importante aprendizagem, outra da finalidade desta interação com os alunos é permitir que conheçam outras realidades.
“É fundamental que as crianças tenham experiências enriquecedoras que as façam sair um pouco do digital, sair um pouco dos livros. Hoje temos de ter um ensino e uma aprendizagem mais baseada no saber fazer e poder ‘meter a mão na massa’ com atividades práticas. Se pudesse ser sempre assim, acredito que as nossas crianças teriam um conhecimento pedagógico e a nível formativo muito mais eficiente e produtivo e é isso que eu procuro fazer nas minhas aulas ao nível do ensino superior e vou procurar fazer hoje aqui em Moura na Escola do Fojo e na Escola da Porta Nova”.
Através da interação direta com cientistas com ligação às comunidades locais e da realização de atividades práticas, o projeto aproxima a ciência da realidade dos alunos, proporcionando experiências de aprendizagem significativas. Ao desmistificar a ciência e reforçar a ligação dos jovens a estas áreas, contribui também para o sucesso escolar e para o interesse futuro por percursos educativos e profissionais nas áreas científicas. Conta com o apoio da Faculdade de Ciências da Saúde – Universidade da Beira Interior (FCS-UBI) e de Beatriz Pereira.
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