Em entrevista à Planície, Francisco Ferreira, presidente da ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável faz um balanço da atuação do Ministério do Ambiente e Energia, liderado pela Ministra Maria da Graça Carvalho.

Num contexto em que a celebração enfatiza as alterações climáticas e os sinais urgentes que o planeta envia, a associação considera essencial analisar se Portugal contribui para o problema ou para a solução.

Para esse efeito, identificou três aspetos positivos e três negativos no mandato da ministra, acompanhados de uma reflexão final sobre o caminho a seguir.

O responsável salienta três avanços na política ambiental, “nomeadamente o esforço para resolver o contencioso com a Comissão Europeia sobre os Planos de Gestão das Zonas Especiais de Conservação (ZEC), integrantes da Rede Natura 2000, o afastamento do apoio à incineração de resíduos e o apoio às ONGA (Organização Não Governamental de Ambiente), via Fundo Ambiental”.

Relativamente à gestão da água, a associação critica a subserviência aos interesses do Ministério da Agricultura, “que privilegia o regadio industrial e ignora a Avaliação Ambiental Estratégica, agravando a escassez hídrica e vulnerabilidade face às alterações climáticas”.

O Fundo Ambiental é descrito como um "Fundo Agrícola e Florestal sem reforma", com gestão discricionária e orçamentos atrasados, “sem uma visão estratégica alinhada com os desafios ambientais”.

Sobre as emissões, os ambientalistas alertam que a redução registada em 2024 não é estrutural, destacando o aumento do consumo de combustíveis no setor dos transportes, que representa 35,2% das emissões nacionais, comprometendo o cumprimento das metas climáticas de 2030. Estas considerações foram avaliadas a 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente.