Alterações Climáticas é tema de Carta Aberta da ADC Moura
A ADCMoura – Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Moura fez chegar recentemente às organizações políticas que concorrem no concelho de Moura às Eleições Autárquicas de 12 de outubro, um conjunto de propostas e preocupações concretas. A associação chama a atenção para que as mesmas sejam incorporadas nos respectivos programas eleitorais, de resposta à …
A ADCMoura – Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Moura fez chegar recentemente às organizações políticas que concorrem no concelho de Moura às Eleições Autárquicas de 12 de outubro, um conjunto de propostas e preocupações concretas. A associação chama a atenção para que as mesmas sejam incorporadas nos respectivos programas eleitorais, de resposta à crise climática e à perda de biodiversidade e que consideram “um dos maiores desafios globais do nosso tempo, e aos riscos que comporta para a saúde humana e ambiental, economia, coesão social e bem-estar à escala local, neste caso do concelho de Moura”.
A direcção contextualiza que Portugal é um dos países europeus que apresenta maior vulnerabilidade às alterações climáticas e o Alentejo é uma das regiões mais afectadas por eventos climáticos extremos. “O novo padrão climático da região, com o aumento das temperaturas, frequência de dias quentes e ondas de calor, particularmente sentidos nos últimos anos, está associado a riscos de mortalidade acrescidos, em especial para os grupos mais vulneráveis a essas mudanças: idosos, crianças, mulheres grávidas e doentes que padecem de doenças crónicas”.
A ADCMoura evidencia estudos científicos recentes e demonstra que a exposição a sucessivas ondas de calor “tem impacto directo no envelhecimento dos nossos órgãos, fazendo aumentar a idade biológica e causando, no limite, a morte”.
Dados de 2022 dão conta de 60.000 mortes na Europa associadas a ondas de calor. Prevê-se que esse número possa subir além das 68.000 mortes até 2030. Em Portugal, as ondas de calor deste ano causaram um número significativo de vítimas acima do esperado, com o registo de 69 mortes em excesso no final de junho e 264 mortes em excesso no final de julho. A Direcção-Geral de Saúde reportou 284 mortes em excesso devido à onda de calor que ocorreu entre 28 de junho e os primeiros dias de julho deste ano. (fonte: Direcção-Geral da Saúde).
Moura é um dos concelhos particularmente expostos às alterações climáticas, e em que os eventos associados ao aumento da temperatura e frequência das ondas de calor serão mais intensos e terão mais impacto no futuro, com um grau de risco máximo (ver matriz de risco do Plano Municipal de Emergência e Protecção Civil de Moura, 2022), quer no que respeita a danos para a saúde humana, quer no que concerne a propagação de incêndios e degradação dos ecossistemas, passando pela quebra da produtividade e prejuízos para as cadeias de produção, em especial a agricultura.

O que deve ser feito? “Este cenário crítico deve instar o poder/administração local a adopção de uma estratégia de acção climática consequente, suportada nos eixos “mitigação”, “adaptação”, “gestão, conhecimento e sensibilização”, com medidas de longo alcance”, observa a associação.
Apontam a eficiência energética e a descarbonização, preservação da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas, qualidade do ar e da água, restauro ecológico, gestão dos recursos hídricos, incentivo a práticas agrícolas amigas do ambiente, produção de alimentos saudáveis, consumo responsável, mobilidade suave (apostando na mobilidade ciclável!), renaturalização urbana, economia circular, empregabilidade e formação profissional para a transição e competitividade global, sensibilização e envolvimento da comunidade nos desafios da acção climática, entre outras tipologias de intervenção, como medidas essenciais.
“No fundo, apelamos a que se concretize o Plano Municipal de Acção Climática de Moura (agosto 2024), enquanto instrumento nuclear de gestão do território, onde constam as referidas medidas devidamente identificadas e acompanhadas de informação relevante para a sua operacionalização”. Pode ser consultado através do link https://www.cm-moura.pt/…/11/PMAC-M_R03_PMAC_Set2024.pdf
Ainda no domínio da promoção da biodiversidade, dos ecossistemas saudáveis e da integração, no planeamento urbano, de infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza para fazer face às alterações climáticas, a instituição sugere “a transposição para os programas eleitorais das propostas inscritas no Caderno de Boas Práticas – promoção da Biodiversidade em Espaços Verdes Urbanos (2025), produzido no âmbito do projecto CANTE – Do Conceito à Abordagem “Uma só Saúde” (PRR) por um consórcio liderado pela Universidade de Évora e de que a ADCMoura faz parte”. O projecto pode ser consultado no link https://www.neo-cante.uevora.pt/
Ainda como sugestão, nesta Carta Aberta a associação recomenda a consulta do documento https://drive.google.com/…/1EbruyRjNnPvtzo9GkZI…/view…, em que conjuga “medidas dirigidas à preservação do património natural existente, acções de arborização e renaturalização urbana (em jardins, praças, ruas, recreios escolares, hortas…) e iniciativas de educação ambiental, voluntariado e ciência cidadã destinadas a diferentes tipos de públicos com o intuito de garantir a conservação dos valores naturais e a resiliência do território a longo prazo”.
“Estão amplamente demonstrados, em Portugal e um pouco por todo o mundo, os benefícios desse tipo de práticas no sequestro de carbono, no sombreamento e redução da temperatura exterior, no melhoramento do solo, na fixação de espécies faunísticas (com impacto, por exemplo, no controlo de vectores de doenças epidémicas e infecciosas que tenderão a proliferar com o aumento da temperatura), na criação de corredores ecológicos entre os núcleos urbanos e o campo e, em geral, na saúde pública e qualidade de vida dos cidadãos/munícipes, tanto em termos físicos como psíquicos”, advertem. Sublinham ainda a sua importância enquanto “oportunidades excepcionais para a criação de emprego e rendimento, com vantagens comparativas das regiões com menores densidades populacionais como a nossa”.
“Em tempo de eleições autárquicas e pelas razões aduzidas, o tema do combate às alterações climáticas, às ondas de calor e à perda de biodiversidade deve estar, mais do que nunca, na ordem do dia e no centro do debate e da tomada de decisão, deixando de ser o parente pobre das políticas públicas”, refere a direcção da Associação para o Desenvolvimento do Concelho de Moura.
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