As Endoenças de Safara pelo historiador Miguel Santiago
A Semana Santa, ou como também é conhecida, as Endoenças, celebra a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, envolvendo a aldeia numa espécie de aura mística e religiosa que não deixa ninguém indiferente, atraindo não só a população da região como muitos forasteiros. A celebração dura oito dias, começando no Domingo de Ramos, com a bênção dos ramos, na Capela de Santa Ana, e findando no Domingo de Páscoa, sendo a Sexta-feira Santa o apogeu da celebração, dia em que se realizam as Procissões do Encontro e do Enterro do Senhor.
A manhã de Quinta-feira traz consigo o cheiro a rosmaninho e alecrim, dia em que se celebra o Lava-pés, a Procissão dos Ramos e a Procissão do Senhor Preso à Coluna, ou da Caninha Verde, onde as matracas e as bandeiras tem um especial destaque, já que a Procissão é feita apenas com tochas a iluminar e que culmina com o “Roubo do Senhor”, sendo transferido para a Capela de Santa Ana, de onde sairá Sexta-feira Santa para o “Encontro”.
Na tarde de sexta-feira, o Senhor dos Passos acompanhado pela Maria Madalena e de dois anjos saem da Capela de Santa Ana, enquanto a Nossa Senhora das Dores acompanhada por outros dois anjos sai da Igreja Matriz, encontrando-se com o filho na Travessa do Calvário, realizando-se o Sermão do Encontro, onde a Padeirinha, segurando um rolo de pano com a estampa do rosto ensanguentado de Cristo, simula limpar-lhe o rosto e interpreta o seu cantar triste, O Vos Omnes, apresentando o pano lentamente. Terminado o canto, as duas procissões unem-se, seguindo, assim, para a Igreja Matriz para se realizar a Crucificação de Cristo. Nessa noite, ocorre a Procissão do Enterro do Senhor, aos sons das matracas e do canto das Três Marias, saindo novamente as bandeiras, porém, deitadas. A Procissão finaliza na Igreja Matriz com o “Grito” de Maria Madalena, quando fecha o caixão com o Senhor e a seguir é mostrado o Sudário à população. O Domingo de Páscoa traz consigo o final das festividades, sendo realizada a última procissão.
As celebrações são centenárias, tendo sido interrompidas e voltando a ser realizadas em 1956, onde apenas foi celebrada a Procissão do Encontro, tornando as festividades a serem interrompidas até 1966; depois desta data, seriam então celebradas anualmente, porém, os elevados custos das mesmas levou a Irmandade da Festa a celebrá-las em períodos de 3 em 3 ou 4 em 4 anos, conforme a capacidade económica, tendo sido fixado, em 1988, que se celebrariam de 2 em 2 anos, perdurando este molde até aos dias de hoje.
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