Baixo Alentejo – “As contrapartidas do INEM são insuficientes. Na maior parte dos casos são os bombeiros que têm de suportar os custos dos serviços”
Não é a primeira vez que Domingos Fabela, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Beja fala sobre o assunto: as distâncias entre concelhos e a difícil resposta a quem mais precisa, ainda a falta de macas das corporações de bombeiros retidas muitas vezes na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) em …
Não é a primeira vez que Domingos Fabela, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Beja fala sobre o assunto: as distâncias entre concelhos e a difícil resposta a quem mais precisa, ainda a falta de macas das corporações de bombeiros retidas muitas vezes na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) em períodos de maior fluxo de doentes e a falta de contrapartidas do INEM – Instituto Nacional de Emergência Médica. Necessidades ou a falta delas que expõem as fragilidades de socorro no interior do país.
“A questão da emergência é efetivamente uma situação muito delicada e preocupante na nossa estrutura sub-regional, em que um dos primeiros grandes obstáculos que nós temos são as distâncias, porque aquilo que é definido em termos de tempos de resposta são difíceis na maior parte dos casos de cumprir, porque não estamos confinados às sedes de concelho, neste caso falamos aqui da região de Beja. Portanto, essas deslocações são morosas porque têm distâncias a ser percorridas. Temos casos em que nos próprios concelhos temos distâncias de 40 a 50 quilómetros e torna-se um problema darmos uma resposta cabal”.
Na defesa das condições dos recursos dos bombeiros, Domingos Fabela não deixa de apontar o dedo às “situações mais críticas” de atendimento urgente vividas na ULSBA e no próprio Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, com a retenção de macas que pertencem aos bombeiros.
“Felizmente com a melhoria das condições climáticas o Hospital de Beja está mais desafogado presentemente, mas tivemos situações críticas onde o próprio serviço não conseguia dar escoamento. A preocupação dos bombeiros era a retenção de macas e o seu acomodamento porque sabíamos que os doentes na maior parte dos casos ficavam nos corredores 24/48 horas e nós sem macas das ambulâncias não tínhamos condições para dar resposta, porque ficar sem macas nas ambulâncias é o mesmo que dizer que não podemos prestar o serviço às populações”.
Questionado pela Planície se esta situação em concreto está resolvida, o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Beja não hesitou: “Não está. Está minimizada, digamos assim. Já houve uma reunião com a administração (ULSBA) porque fizemos sentir através da federação que pelo menos a situação deveria tentar ser minimizada porque também compreendemos que o próprio hospital também não tem condições para receber tanta gente nas urgências”.
Sem solução definitiva à vista, Domingos Fabela detalhou que o problema “não está resolvido e arrasta-se há anos. A única garantia que conseguimos obter da ULSBA foi a de que o hospital iria adquirir 20 a 30 macas para fazer a mudança das macas dos bombeiros para as suas e libertá-las”.
O responsável é o primeiro a reconhecer o serviço prestado pelas associações humanitárias de bombeiros na área da emergência que segundo referiu, “rondará os 90% a nível do país”.
No entanto, as contrapartidas do INEM são “manifestamente insuficientes e na maior parte dos casos, são as próprias associações a ter que suportar custos dos serviços que prestamos o que também não faz sentido nenhum. Em alguns casos quase que se torna incomportável porque estamos a falar de um serviço 24 sob 24 horas e não o podemos descurar porque temos de ter sempre equipas em escala para que possamos responder às necessidades das pessoas. O serviço que prestamos à população tem de ser de qualidade e de excelência, também é nossa obrigação, mas simultaneamente temos de ser compensados pelo serviço que prestamos e não podemos ser nós a estar de alguma forma a suportar alguns gastos”.
E, porque falamos de urgência, este é um daqueles casos em que é urgente que seja analisado. “Penso que vai ser revisto, estão a decorrer negociações entre a Liga dos Bombeiros Portugueses e o INEM e esperemos que haja uma revisão de todo este processo de forma a que as associações de bombeiros possam ser compensadas justamente pelo serviço que prestam. Nós apontámos números concretos já para as despesas. Quando falamos em serviços de 24 horas temos de ter, além das viaturas, equipas que se enquadrem com a viaturas e que estejam sempre disponíveis. Depois temos outra situação: nem todas as associações têm a mesma capacidade de resposta. Possivelmente Beja tem 400 serviços de INEM mensais e Barrancos poderá ter se calhar 10. Isto também deveria ser considerado na medida em que a necessidade dessas equipas e dessas viaturas é diferente de concelho para concelho. Estas situações devem ser levadas em consideração de forma a que nós sejamos ressarcidos como deve ser pelos serviços que prestamos”.
No cenário atual, explicou que no caso de Beja, “existem no mínimo cinco ou seis viaturas de emergência, Barrancos só terá uma ou duas. Serpa está à espera de adquirir uma, mas tem duas avariadas. Não é uma situação estável dizer-se que temos sempre os carros disponíveis, não é fácil. Há casos em que só há uma ambulância e se essa avariar deixa de haver”.
No funcionamento dos serviços, Domingos Fabela adiantou que quando é solicitada uma ambulância de emergência, quando é acionado os Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, se não houver uma resposta imediata por exemplo de Serpa, Moura ou Beja que está mais perto, poderá ter de fazer esse serviço. Porque podem inclusivamente todas as ambulâncias das associações estarem ocupadas com serviços como já tem acontecido. Temos que nos valer uns aos outros, mas também temos de reconhecer que esse serviço, essa resposta vai ser muito mais lenta do que seria inicialmente se houvesse meios no próprio concelho”.
Devido a esta série de contingências, “os serviços podem falhar”, ou seja, “uma associação que tem duas ambulâncias de socorro, as chamadas ABSC, se tiverem saído as duas em simultâneo para dois serviços diferentes na sua área de intervenção, naturalmente se chegar outro pedido não tem resposta. Tem de ser um concelho vizinho a dar essa resposta”.
A conjuntura perfeita seria existir “equipamentos e recursos humanos consentâneos com tudo isso, mas são serviços onerosos. Queremos rever o acordo que temos com o INEM no sentido de o melhorar e também agilizar outros aspetos em termos de prestação de serviços”, declarações de Domingos Fabela, presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Beja.
Em destaque
Despiste na EN 258 em Vidigueira provoca uma vítima mortal
14/05/2026
62 peregrinos partem amanhã de Moura rumo a Fátima
04/05/2026
Júniores do MAC e Matilde Fernandes são recebidos na Câmara de Moura após vitórias
06/05/2026
GNR de Moura recupera máquina agrícola furtada no concelho de Serpa
04/05/2026