Bloco de Rega de Póvoa/Amareleja – José Duarte defende que a EDIA “não pode retirar mais áreas aos agricultores”
Conhecedor do novo projeto do Bloco de Rega de Póvoa/Amareleja, o presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos voltou a ser uma voz discordante quando o assunto diz respeito à retirada de hectares nos blocos de rega do concelho de Moura. Neste caso concreto de reduzir ao que tudo indica cerca de 800 hectares …
Conhecedor do novo projeto do Bloco de Rega de Póvoa/Amareleja, o presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos voltou a ser uma voz discordante quando o assunto diz respeito à retirada de hectares nos blocos de rega do concelho de Moura. Neste caso concreto de reduzir ao que tudo indica cerca de 800 hectares de regadio neste bloco, não sem antes aplaudir a “grande participação dos agricultores na consulta pública”, o que por si só demonstra “um grande interesse, mas principalmente a vontade de se modernizarem e de se tornarem produtivos e obviamente de contribuírem para o desenvolvimento da nossa região”.
José Duarte acompanhou parte do primeiro dia de consulta pública e diz ter assistido com “alguma preocupação à comunicação feita a alguns agricultores de que as suas parcelas iriam ser excluídas deste projeto. Segundo percebi, essa exclusão tem a ver com cotas onde ficam essas parcelas, onde não se consegue fazer chegar a água a essas áreas”.
O porta-voz dos agricultores do concelho de Moura não aceita esta explicação. “Isto para nós não é justificação porque basta pressurizar a água para a conseguir levar a todas as parcelas”. E continua: “Ouvi a entrevista do Engenheiro Salema à Rádio Planície e obviamente que nós concordamos com a retirada de áreas do projeto anterior, nomeadamente na Central Fotovoltaica da Vaquinha que até foi a Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos que solicitou que essa área se retirasse aquando da última renovação de impacte ambiental, porque ainda estava no projeto e não fazia sentido nenhum, uma vez que a sua finalidade não é agrícola”.
“Da mesma maneira quando há cerca de dois anos quando fomos informados numa reunião com o Engenheiro Salema que iria ser retirada uma área que hoje tem captações diretas e que está neste momento a regar da Barragem do Alqueva e eu estou perfeitamente à vontade para falar disso porque eu tenho lá uma parcela. Nós fomos os primeiros a dizer que concordávamos com essa retirada de área porque não fazia sentido nenhum se já estava a regar, colocar em causa um projeto por causa de áreas que já estão a ser irrigadas e nós, Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos não queremos onerar mais esse projeto”.
Contudo, considera “inadmissível” quando se trata de excluir “áreas com aptidão agrícola, que estão longe das captações diretas, que estiveram no projeto anterior dentro do bloco de rega e a justificação técnica para nós não é viável porque existe sempre a possibilidade de a água chegar a esses pontos através de bombagens de compressão”.
José Duarte gostaria que houvesse maior “boa vontade por parte da EDIA” no sentido de se encontrarem “soluções” e “para não estarmos a cortar sempre áreas por questões financeiras. A parte financeira não pode ser justificação para tudo”, porque segundo referiu a propósito de um estudo apresentado pela EDIA a que assistiu sobre o impacto do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (EFMA), “todos os blocos de rega do Alqueva estão pagos e foram pagos pelos impostos gerados pelos agricultores. Por isso a questão financeira não pode ser desculpa”.
A solução de futuro passa na sua opinião para a construção efetiva do Bloco de Póvoa/Amareleja “com uma área mais próxima daquela que é a do projeto inicial. Na realidade estamos a falar de um projeto que foi anunciado em 2018, que tinha uma área de 10.000 hectares e neste momento o que está previsto é bloco de Moura 1.200 hectares e Póvoa/Amareleja 5.500 hectares. Há uma redução de 33% de área em relação àquilo que foi o projeto apresentado em Moura em 2018”.
O empresário agrícola volta a frisar que a construção do regadio no concelho de Moura irá permitir o desenvolvimento do concelho a todos os níveis. “Permitirá que os agricultores mantenham a sua atividade, que se tornem competitivos e consigam ficar neste território cada vez mais envelhecido, onde não há indústria em que a agricultura tem de ser o grande motor de desenvolvimento da nossa economia. Se não tivermos água não conseguimos manter aqui ninguém e por isso defendemos a inclusão dessas áreas no Bloco de Póvoa/Amareleja”.
José Duarte defende ainda que a EDIA “não pode retirar mais áreas aos nossos agricultores, não é justo e se existem soluções técnicas e essas áreas estavam dentro do projeto, têm de se manter”.
A realidade é que este é um processo longo, como disse e que vai demorar algum tempo. “Ainda vamos ter uma declaração de impacte ambiental que tem de ser feita e segundo nos informaram na consulta pública, esse processo pode demorar cerca de um ano”.
E deixa um aviso: “Em relação à nova declaração de impacte ambiental não coloquem condicionantes e restrições por causa do abrigo dos morcegos porque todos nós sabemos, EDIA, ICNF e agricultores que existe hoje uma grande colónia de morcegos no abrigo do Alqueva e se essa colónia é grande devido à multiplicação, deve-se à biodiversidade que existe nos olivais e nos amendoais existentes onde esses morcegos se vão alimentar. Deixemo-nos de uma vez por todas de fundamentalismos ambientais e que se comecem a resolver os problemas da região de Moura relacionados com a agricultura”.
Quanto às fontes de financiamento, afirmou sem rodeios: “Neste momento Portugal recebe muito dinheiro do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e pouca dessa verba está alocada à agricultura. Houve o financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI) para a construção da 2ª fase do EFMA que a anterior Ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes suspendeu, mas que se faça um novo empréstimo ao BEI, que se utilize o projeto Água que Une para se incluir este bloco. O que nós não admitimos é que se retirem áreas e que se continue a atrasar um projeto que vai ser o último a avançar da 2ª fase do EFMA, quando temos a água aqui ao pé de Moura”.
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