Pedro Sobral, diretor técnico da Resialentejo fez um balanço dos “investimentos significativos” da empresa intermunicipal durante o ano passado e que pretende cimentar este ano. Foi efetivada “toda a parte de requalificação da nossa central de triagem de embalagens relacionada com o ecoponto amarelo, além de estarmos a terminar a nova triagem para cartão, o …

Pedro Sobral, diretor técnico da Resialentejo fez um balanço dos “investimentos significativos” da empresa intermunicipal durante o ano passado e que pretende cimentar este ano. Foi efetivada “toda a parte de requalificação da nossa central de triagem de embalagens relacionada com o ecoponto amarelo, além de estarmos a terminar a nova triagem para cartão, o que nos vai permitir quadruplicar a capacidade que tínhamos anteriormente”, unidades que irão arrancar neste início do ano e que estão nos “grandes investimentos” que a empresa quer consolidar em 2026.
Em simultâneo e como complemento aos projetos em curso, Pedro Sobral avançou em entrevista à Planície que a empresa pretende terminar ainda no primeiro trimestre deste ano “a requalificação da unidade de triagem de vidro, porque apesar do trabalho que todas as pessoas fazem nas suas casas relacionado com a separação (do vidro), há um trabalho a seguir feito pelos municípios e pela Resialentejo para poder triar esse material”.
Segundo o diretor técnico, “a empresa tem mais de 100 pessoas para receber e triar este material que é recolhido nos oito municípios”, entre eles, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa.

Ainda no âmbito dos investimentos relevantes, estão pensados novos na parte do tratamento mecânico para que o processo seja “otimizado ao nível da receção dos resíduos diferenciados e na melhoria da qualidade do nosso composto”, indicou Pedro Sobral.
Na área da recolha seletiva será acautelado “o incremento da rede de ecopontos em que iremos substituir e colocar novas localizações em cerca de 100 ecopontos novos nos próximos três a quatro meses. Estamos a ultimar a adjudicação desse procedimento”, contextualizou o responsável.

Acima de tudo 2026 será um ano “de consolidação de projetos que vêm de trás, assim como a aposta da própria recolha no sentido de continuarmos a aumentar as quantidades de recicláveis, quer de embalagens, quer de biorresíduos que recebemos nas nossas instalações”.
A sensibilização para a separação das embalagens tem sido uma aposta continua da Resialentejo nos municípios onde opera. “Nos últimos anos temos vindo a aumentar o investimento na comunicação e sensibilização da população, com várias visitas que recebemos nas nossas instalações e de idas às próprias escolas e a várias instituições do concelho”, explicou, trabalho esse que já está a dar frutos com um incremento na recolha seletiva.
O responsável sabe que este é um trabalho que “nunca acaba e que todos nós enquanto cidadãos temos de nos consciencializar para alterar os nossos comportamentos. Da nossa parte iremos continuar a sensibilizar as pessoas porque ainda estamos longe daquilo que precisamos”, acrescentou.
Sublinhou ainda que as taxas de captura de embalagens rondam os “30%, ou seja, dos 100% de embalagens que nos chegam, apenas 30% são colocadas no ecoponto, portanto há aqui um trabalho muito grande que temos de fazer para melhorar o nosso ambiente e manter o Alentejo nos principais lugares de reciclagem do país”.

Em Moura crescimento nos biorresíduos não acompanha a separação das embalagens

Os resultados do último quadro de 2025 (novembro) da Liga Intermunicipal da Reciclagem divulgados pela Resialentejo e que dizem respeito aos resíduos recolhidos entre 1 de janeiro de 2025 a 30 de novembro do mesmo ano, apresentam os seguintes dados: a liderança é ocupada pelo concelho de Castro Verde, seguido do concelho de Ourique e a terceira posição pertence ao concelho de Serpa. Em 4º lugar da tabela está Barrancos, em 5º Mértola, em 6º Almodôvar, Beja e Moura ocupam a 7ª e a 8ª posição respetivamente.

Pedro Sobral elucidou que a Liga Intermunicipal da Reciclagem foi desenvolvida para haver “uma realidade saudável entre os municípios e felizmente, todos os municípios têm vindo a crescer a um ritmo importante ao nível da reciclagem, especialmente os que entraram agora com o regime de porta a porta como é o caso de Castro Verde e Ourique que também é relevante”.
No concelho de Moura a situação é diferente. “Se no caso dos biorresíduos o concelho cresceu bastante e apresenta cerca de 500 toneladas por ano, no caso das embalagens houve um ligeiro decréscimo de 2024 para 2025, o que faz com que os outros municípios cresçam e Moura vá ficando para trás”, referiu o responsável técnico.

Acrescentou que a Resialentejo tem atualmente “das melhores capitações nacionais de recicláveis (contagem do número de habitantes ou utilizadores numa determinada área, em que é usada a métrica para calcular a taxa de reciclagem per capita), ou seja, nós fazemos a capitação e não as quantidades porque os municípios maiores têm mais quantidade e iriam ficar em 1º lugar em detrimento de outros municípios mesmo com um esforço bastante relevante. Em termos de população não podemos comparar o Município de Barrancos com o de Beja. No caso de Moura o que está a acontecer é este fenómeno. Vai ter que existir nos próximos anos um investimento quer nosso, quer do município no sentido de continuar a crescer nas embalagens”.
Entre 2024 e 2025, houve uma redução na separação das embalagens no concelho de Moura. No entanto, entre 2021/2025 “houve um incremento de quase 100 toneladas nas embalagens, mas não foi suficiente tendo em conta que os outros cresceram mais. É por isso que o Município de Moura vai ficando nos últimos lugares na Liga Intermunicipal de Reciclagem. Apesar disso, posso dizer que nos últimos anos Moura passou de capitações a rondar os 30 quilos por ano para os valores que temos agora de mais de 100 quilos por habitante por ano”, garantiu Pedro Sobral.