O Emmy, o mais prestigiante prémio atribuído a programas e profissionais de televisão equivalente ao Oscar no cinema, foi entregue na categoria de “Melhor Som em Evento Livre de Televisão” a nível mundial, à empresa OBS – Olimpic Broadcast Services criada por Nuno Duarte, um alentejano que vive em Ficalho, concelho de Serpa, também responsável …

O Emmy, o mais prestigiante prémio atribuído a programas e profissionais de televisão equivalente ao Oscar no cinema, foi entregue na categoria de “Melhor Som em Evento Livre de Televisão” a nível mundial, à empresa OBS – Olimpic Broadcast Services criada por Nuno Duarte, um alentejano que vive em Ficalho, concelho de Serpa, também responsável pelo Serpa Summit, o evento que reúne anualmente especialistas e empresas de tecnologia de televisão. O galardão distinguiu em maio na cidade de Nova Iorque, a excelência do som nos Jogos Olímpicos de Verão Paris 2024. A firma com laboratório em Ficalho, tem sede em Madrid.

Este é já o 6º Emmy arrecadado por Nuno Duarte, especialista de som e produção de áudio, mas o mais especial porque os Jogos Olímpicos de Paris são na sua opinião, “os mais importantes de sempre e este prémio, o mais difícil de ganhar”.
E é esta a função da OBS, a companhia responsável pela transmissão de todos os Jogos Olímpicos de Verão e Inverno para todas as estações de televisão.
Só para se ter noção, este é um trabalho complexo que levou três anos a preparar e que envolve mais de 500 pessoas de vários países e perto de 73 produtores. Tudo começa com um “desenho de som” para os Jogos Olímpicos, uma espécie de plano estratégico e que é posteriormente “distribuído por todos os canais de televisão do mundo e a NBC, o canal americano, utiliza o som que nós fazemos para distribuir pelos Estados Unidos da América (EUA). Grande parte do som dos Jogos Olímpicos que a NBC distribui pelos EUA resulta do meu trabalho, do meu desenho técnico feito com a minha equipa”, explicou à Planície o especialista de som.

“O som é feito em cada uma das sedes onde há desportos e depois distribuído por todas as televisões do mundo. Os jogos só acontecem durante duas semanas, estamos a falar de 70 produções desportivas ao mesmo tempo com os vários desportos, desde Atletismo, Natação, Ciclismo ou BTT e como apanhou o período de covid, grande parte foi desenvolvido em Ficalho e em Serpa onde eu tenho o meu laboratório e até à altura dos JO desenvolvi todo o projecto e todos os testes que são necessários fazer antes de nos deslocarmos para o evento desportivo”, avançou o empresário.

Com um orgulho que não cabe no peito, Nuno Duarte trabalha na área há mais de 30 anos. Além do Emmy ser o resultado de um trabalho grandioso mostra que quem vive no interior do Alentejo pode chegar a uma dimensão mundial. “É possível e não é por estarmos em Ficalho, Serpa ou Moura, que não conseguimos chegar a um nível global e que podemos ser internacionais. É uma questão de trabalharmos mais ou tanto que os outros para chegar ao topo das nossas carreiras”.
O próximo projecto já está na forja e são os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão/Cortina em fevereiro de 2026, “um projecto mais pequeno, mas de qualquer maneira complexo. A seguir já estamos a preparar os próximos Jogos Olímpicos de Verão em Los Angeles. Já visitámos o estádio principal que é muito importante para nós porque foi onde o Carlos Lopes ganhou a medalha de ouro”, situou Nuno Duarte. O local foi o Memorial Coliseum, durante os Jogos Olímpicos de 1984.