Na conversa com a Planície, a presidente do Instituto Politécnico de Beja, Fátima Carvalho, pronunciou-se sobre a quebra de alunos na instituição nesta 1ª fase de resultados, uma consequência a nível nacional, mas que afecta sobretudo as instituições do interior do país. Neste caso houve uma diminuição de 134 estudantes quando comparado com 2024. A …

Na conversa com a Planície, a presidente do Instituto Politécnico de Beja, Fátima Carvalho, pronunciou-se sobre a quebra de alunos na instituição nesta 1ª fase de resultados, uma consequência a nível nacional, mas que afecta sobretudo as instituições do interior do país. Neste caso houve uma diminuição de 134 estudantes quando comparado com 2024.

A instituição de ensino deu a conhecer os números da 1ª fase do CNA 2025/2026, Concurso Nacional de Acesso, em que acolheu 203 novos estudantes distribuídos pelas suas 14 licenciaturas, destacando-se que em duas delas as vagas foram “integralmente preenchidas logo nesta etapa inicial”.

Apesar disso, estes resultados, de acordo com o IPBeja, “ocorrem num cenário de quebra significativa a nível nacional, com menos 9.046 candidatos face ao ano anterior e uma oferta superior ao número de candidatos (mais 5.644 vagas do que estudantes)”.

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A presidente corrobora os números e ressalva que a instituição de ensino “foi bastante afectada por este abaixamento de procura no Ensino Superior”, mas na verdade, “está expectante” com a 2ª fase da candidatura “e as outras vias de acesso ao ensino superior. Contamos com essas outras modalidades de ingresso para que possamos recuperar de alguma maneira o número de candidatos que não concorreu através do Concurso Nacional de Acesso”.

Fátima Carvalho espera que no futuro a nova modalidade de candidatura, onde são exigidos actualmente três exames obrigatórios, incluindo Português, com o fim das excepções que vigoravam durante a pandemia e as instituições a requerer agora no mínimo dois exames para ingresso, quando antes era pedido um, possa ser alterada. “Esperemos que possa ser alterada no futuro para voltarmos outra vez a poder contar com o mesmo número ou mais, de candidatos que têm ocorrido nos últimos anos (ao IPBeja).

O cenário penalizou sobretudo “as instituições situadas em regiões de menor densidade populacional e integradas no subsistema politécnico, onde se verificou uma redução global de 4.024 colocados”.

No caso do Politécnico de Beja, registou-se uma diminuição de 134 estudantes em relação a 2024, acompanhando a tendência nacional. “Trata-se de uma redução que preocupa todas as Instituições de Ensino Superior”.

No entanto, está a ser encarada com “confiança” pela direcção do Politécnico de Beja para a 2ª fase com a inscrições a decorrerem entre 25 de agosto e 3 de setembro e com a disponibilização de mais de 11 mil vagas a nível nacional — um acréscimo de 130% face a 2024 — representando “uma oportunidade significativa para reforçar o número de colocações na instituição”.

Aos estudantes colocados através do CNA, juntam-se ainda os ingressos provenientes dos concursos locais e dos regimes especiais, que assumem um papel central na diversificação e no reforço da comunidade académica da instituição de ensino.

Neste âmbito, destacam-se os cursos de Solicitadoria a Distância, com o ingresso de 50 novos estudantes, confirmando a elevada procura por este curso; Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), que sofreu um aumento de 44%, passando de 218 candidatos em 2024/2025 para 314 em 2025/2026; Mestrados também ampliaram a procura com um crescimento de 12%, com 198 candidatos na 1.ª fase, face aos 177 registados no ano letivo anterior; Vias especiais de ingresso com provas para maiores de 23 anos, titulares de CTeSP, diplomados de nível superior, estudantes internacionais e cursos artísticos especializados.

Estes resultados “evidenciam a atractividade dos concursos locais e o papel determinante que assumem no preenchimento de cursos estratégicos para a região, caracterizados por uma procura consistente por parte do mercado de trabalho e por elevados níveis de empregabilidade”, garantiu a administração.

Associado a estes factores, a presidente referiu ainda à Planície a importância de “reforçar a imagem do IPBeja com a nova residência, que se prevê que tenha algum efeito sobre o preço dos quartos, embora esse preço seja muito maior em Lisboa e no Porto”.

Fátima Carvalho diz ser fundamental “olhar para os números no final da 2ª fase e ver como é que nos podemos tornar mais atractivos, mas temos também de fazer pressão a nível do Governo para que as instituições de Ensino Superior possam de alguma maneira tornar-se mais aliciantes para os estudantes e, portanto, criar condições muito especiais no interior do país”.

Para a responsável só assim é possível que as instituições de Ensino Superior consigam “fazer o seu papel no interior de coesão social, de atracção de talentos para a região, de desenvolvimento e ser um motor para a região que já o é, mas queremos que seja cada vez mais e para isso temos de olhar para os números e tentar reagir a eles, contrariá-los e criando estratégias que possam levar a esses resultados. Não é fácil, mas estamos cá para isso”.

A presidente do IPBeja garantiu que no próximo mês a nova residência de estudantes estará terminada. “Todo o processo está a decorrer segundo o planeado. Em setembro teremos toda a residência concluída em termos de construção e então avançaremos imediatamente para a fase do licenciamento, para que até ao final deste ano a residência possa ter estudantes lá a residir. Tudo faremos para que isso ocorra”.

O investimento de cerca de 22 milhões de euros que se insere no âmbito do PRR/PNAES (Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior) e que tem como finalidade reforçar a capacidade de alojamento estudantil em Beja, é para a directora, “um grande sucesso porque foi concluído dentro do prazo previsto e estamos muito orgulhosos. Queremos que seja de facto uma alavanca para o IPBeja, que nos permita ter condições diferenciadoras que possam contrariar esta tendência nacional”.

A construção, já em fase de conclusão, utiliza uma tecnologia híbrida sustentável (madeira e betão) e engloba 11 000 m² distribuídos por quatro blocos com área comum, zonas de convívio, áreas de estudo, ginásio, cozinhas, lavandaria e áreas técnicas.
No total, o equipamento irá disponibilizar 327 quartos, 126 individuais, 150 duplos, 25 estúdios individuais e 26 estúdios duplos, num total de 503 camas.