O presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) expressou a sua solidariedade a todos os agricultores que foram afetados pelos temporais das últimas semanas com grande parte a perder as explorações e atividade e fez o balanço dos prejuízos causados no concelho de Moura.Sem avançar números pelo menos para já, José Duarte adiantou …

O presidente da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB) expressou a sua solidariedade a todos os agricultores que foram afetados pelos temporais das últimas semanas com grande parte a perder as explorações e atividade e fez o balanço dos prejuízos causados no concelho de Moura.
Sem avançar números pelo menos para já, José Duarte adiantou à Planície que a campanha de azeitona que está a decorrer ainda para alguns agricultores das zonas de Sobral da Adiça e de Safara, sofreu alguns atrasos na colheita de olival tradicional com variedades de recolha mais tardia.

“Os agricultores foram afetados primeiro pelo vento na primeira depressão (Kristin), que derrubou muita azeitona que está irremediavelmente perdida, mas também pelo fato de estar a chover bastante desde novembro e agora com estas últimas chuvadas, os solos estão completamente saturados. Vai ser difícil a esses agricultores entrarem nos seus olivais nos próximos tempos com a maquinaria de colheita de azeitona”.
Para já, o recurso para quem trabalha a terra é a utilização de “varejadores manuais o que vai encarecer ainda mais o custo da apanha de azeitona que por si só no olival tradicional já é mais elevado”.

Além deste atraso, também os ventos fortes que se fizeram sentir originaram a “queda e o arranque de muitas oliveiras” e as chuvas que alagaram as zonas mais baixas do olival ditaram a “morte” das árvores por “encharcamento”.
“Obviamente que há uma perda de rendimento para os agricultores, já que estamos a falar de oliveiras que já estavam em plena produção”. A “perda de potencial produtivo leva a que as árvores tenham de ser substituídas e que só entrem em produção daqui a três ou quatro anos”.
No setor da pecuária também chegaram várias queixas ao representante dos agricultores do concelho de Moura. “Temos conhecimento que alguns produtores que têm cercas e vedações junto a linhas de água e foram destruídas com a força da água e vão ter de fazer também essa substituição”.

Os estragos das últimas intempéries deixaram um rasto de destruição nos caminhos rurais particulares, caminhos esses que são da “responsabilidade dos agricultores”, como disse o presidente da CAMB e que agora necessitam de ser arranjados não só os que estão fora, como os que estão dentro dos olivais com a necessidade de os “nivelar”.
Também a degradação dos percursos municipais mereceu uma chamada de atenção da parte de José Duarte. “Antes dos temporais já davam sinais de alguma degradação…” e agora pioraram. “A autarquia de Moura deve repará-los assim que for possível para que nós consigamos ter um acesso digno às nossas explorações”.
A informação do formulário para indicar o report dos prejuízos, posteriormente enviado para a CCDR Alentejo depois de preenchido, já foi comunicada aos associados da CAMB que sofreram prejuízos, um apoio neste caso, que é prestado pelos Serviços Técnicos da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos.

Por enquanto, o empresário agrícola não avança com valores relativamente aos danos.
“Não conseguimos quantificar qual o prejuízo, qual o impacto económico que estas depressões tiveram nos nossos agricultores. Talvez depois de submeterem este formulário à CCDR Alentejo, aí consigamos ter a noção dos prejuízos na nossa zona”.
As consequências no setor olivícola também são difíceis de prever.
“Não conseguimos quantificar. No caso da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos grande parte da nossa colheita de azeitona já foi terminada. O impacto económico grande é para os agricultores de Sobral da Adiça e de Safara como já tinha dito que não conseguiram ainda colher a azeitona”.
Quanto à próxima colheita, as chuvas torrenciais atrasaram algumas etapas como a “poda das oliveiras ou outro tipo de manutenção do olival”, mas nada que fique para já “comprometido”.
Recorde-se que a campanha de azeitona 2025/2026 na Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos arrancou em outubro e estimou uma produção entre os 45 e os 55 milhões de quilos de azeitona e entre os 6 a 8 milhões que quilos de azeite.