Mourão manifesta “posição desfavorável” à nova Central Solar Fotovoltaica em Alqueva
O Município de Mourão torna pública a sua posição relativamente ao projeto da nova Central Solar Fotovoltaica flutuante prevista para o Alqueva, manifestando “preocupação” quanto aos impactos que a sua eventual instalação poderá representar para o concelho e para a região.O projeto, atualmente em fase de Avaliação de Impacte Ambiental, prevê a instalação de uma …
O Município de Mourão torna pública a sua posição relativamente ao projeto da nova Central Solar Fotovoltaica flutuante prevista para o Alqueva, manifestando “preocupação” quanto aos impactos que a sua eventual instalação poderá representar para o concelho e para a região.
O projeto, atualmente em fase de Avaliação de Impacte Ambiental, prevê a instalação de uma Central Solar Fotovoltaica flutuante no plano de água da albufeira de Alqueva, através da colocação de painéis solares sobre estruturas flutuantes ancoradas.
“Trata-se de uma infraestrutura de grande dimensão, com ocupação significativa do espelho de água, numa área de elevada sensibilidade ambiental, paisagística e económica”, referiu com apreensão o presidente do município.
“A albufeira de Alqueva assume um papel estratégico nacional, não apenas na produção de energia, mas também no abastecimento de água, na atividade agrícola, na náutica de recreio e no desenvolvimento turístico da região”, garantiu João Fortes.
O autarca explicou que a “introdução de novas infraestruturas desta escala no plano de água levanta a necessidade de uma análise rigorosa dos impactos cumulativos, considerando os diversos projetos energéticos já existentes no território”.
Por outro lado, o Executivo Municipal reafirma o seu compromisso com a transição energética e com a promoção de energias renováveis, sublinhando, contudo, que este processo “deve ser conduzido de forma equilibrada e sustentável, salvaguardando o ordenamento do território, a proteção ambiental, a biodiversidade e a qualidade de vida das populações”.
O projeto coloca, igualmente, em causa “parte da biodiversidade existente”, segundo a análise da autarquia. É explicado que “num concelho reconhecido pelo seu valioso património ambiental e pela excelência da sua paisagem natural”, sendo que a “dimensão prevista para esta infraestrutura poderá conduzir a um processo de artificialização e descaracterização da paisagem, comprometendo a imagem de um território que se tem vindo a afirmar de forma consistente como destino de turismo sustentável”.
Apreensivo, João Fortes reafirma que o “turismo representa um dos principais motores da economia local e regional, sendo que a valorização ambiental e paisagística constitui um ativo central da estratégia de desenvolvimento”. Como tal, “neste contexto, a autarquia considera que a instalação da central poderá funcionar como fator inibidor de investimento e de iniciativas ligadas ao turismo e às atividades náuticas”.
Face às preocupações identificadas, o Município de Mourão entende que deverá ser emitido “parecer desfavorável” no âmbito da Avaliação de Impacte Ambiental em curso, conduzida pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.
Segundo a autarquia, esta posição resulta de um conjunto de reuniões e diligências promovidas pelos autarcas do território do Alqueva junto das entidades competentes, com o objetivo de obter esclarecimentos detalhados sobre o projeto e garantir transparência no processo.
Em destaque
Incêndio destrói quatro viaturas em Santo Aleixo da Restauração
29/03/2026
Festas de Moura “não serão realizadas nos moldes habituais”, avança a Associação Cultural
30/03/2026
“Brothers de Carocha” em Moura – Projeto solidário leva ajuda a quem mais precisa
31/03/2026
Páscoa 2026 - Ainda há quem vá para o campo celebrar a segunda-feira
06/04/2026