“Juntos pelo Cercal”, o movimento cívico de cidadãos residentes no Cercal do Alentejo, denunciou recentemente junto da Planície uma situação que alega estar a pôr em risco “a saúde local e sustentabilidade ambiental” provocada pela “má gestão” da fábrica de pellets Pinewells, localizada na zona empresarial do Cercal do Alentejo. “Este caso configura mais um …

“Juntos pelo Cercal”, o movimento cívico de cidadãos residentes no Cercal do Alentejo, denunciou recentemente junto da Planície uma situação que alega estar a pôr em risco “a saúde local e sustentabilidade ambiental” provocada pela “má gestão” da fábrica de pellets Pinewells, localizada na zona empresarial do Cercal do Alentejo.

“Este caso configura mais um exemplo de uma solução que, apesar de ser apresentada como energia renovável, está a causar danos à saúde e sustentabilidade local. Além do mais, confirma-se como o Cercal do Alentejo e os seus residentes são expostos às externalidades de empresas que não se preocupam com a saúde dos seus residentes, sendo apenas guiados pela lógica do custo mínimo”, sublinhou o movimento em nota de imprensa partilhada com a nossa redacção.

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A situação piorou consideravelmente depois da ocorrência de um incêndio há cerca de duas semanas num dos três silos da referida fábrica. O material inflamável entrou em combustão e o controlo “tornou-se impossível, ocorrendo então uma explosão no silo, causando um intenso incêndio”, segundo relatou à Planície Suse Gonçalves, um dos membros da acção colectiva.

O problema não é de agora, visto que há vários anos que o movimento tem vindo a advertir as entidades competentes, como a Junta de Freguesia, a GNR e a Protecção Civil. “Há muitos anos que alertamos que a empresa representa um perigo iminente para a comunidade e para as empresas envolventes no mesmo parque empresarial. O fogo ficou extinto só agora, contudo, o problema continua a existir”.

Aquilo que pretendem não é o encerramento da unidade fabril, mas a instalação numa nova localização. “Não queremos que se feche a fábrica efectivamente porque sabemos que a indústria é uma coisa importante para todos, mas a população toda está de acordo que seja colocada num outro local longe da comunidade e das empresas adjacentes para que as questões de segurança não se coloquem”.

Suse Gonçalves diz que ao longo dos anos a comunidade tem sido afectada com “fumos e poeiras” agravados agora com o incêndio ocorrido em meados de julho e que segundo a própria, “já estava anunciado há muito tempo. Parece-nos que as autoridades não fizeram o que seria esperado, ou seja, tomar conta da ocorrência desde sempre”.

Afectados pela nuvem de fumo, os moradores abandonaram as habitações, segundo deu conta a porta-voz. “Infelizmente, existem muitas pessoas que há algumas semanas estão a viver fora das suas casas porque o fumo tem sido muito intenso. As pessoas não conseguiam respira. Eu trabalho na empresa ao lado da fábrica e tivemos na iminência de pegar fogo e foi uma situação muito complicada. Estamos a sofrer com as consequências até agora”.  

“Não queremos deixar morrer este assunto que tem vindo a público há muitos anos. Foi preciso acontecer um incêndio de grandes dimensões para que a voz da população comece a ser ouvida. É uma fábrica que representa perigo ambiental para todos nós, para as empresas adjacentes e para a comunidade. O que se pretende aqui é que esta empresa seja sediada num local onde não comprometa a saúde das pessoas que vivem no Cercal do Alentejo”, concluiu Suse Gonçalves do movimento “Juntos pelo Cercal”.

A Planície tentou chegar à fala com a empresa em questão, mas não obteve resposta.