Num momento de profunda indignação e preocupação com o futuro da Santa Casa da Misericórdia de Serpa, os trabalhadores da instituição reuniram-se esta semana em um plenário para protestar contra os sucessivos incumprimentos salariais que vêm afectando dezenas de famílias do concelho. A manifestação reforça o clamor por justiça e transparência na gestão de uma …

Num momento de profunda indignação e preocupação com o futuro da Santa Casa da Misericórdia de Serpa, os trabalhadores da instituição reuniram-se esta semana em um plenário para protestar contra os sucessivos incumprimentos salariais que vêm afectando dezenas de famílias do concelho. A manifestação reforça o clamor por justiça e transparência na gestão de uma das principais instituições de saúde e solidariedade da região.

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O Movimento pela Defesa do Hospital de S. Paulo manifesta-se solidário com os trabalhadores e lamenta que a sua opção por aceitar a gestão actual da unidade hospitalar tenha conduzido a esta grave situação. Segundo os funcionários, estão pendentes o pagamento de retroactivos salariais referentes aos anos anteriores, o subsídio de Natal de 2024 e, de forma surpreendente, o subsídio de férias de 2025, já em atraso há meses.

Segundo declarações de Duarte Lobo à Rádio Planície “Este cenário de instabilidade financeira e de desrespeito pelos direitos laborais não surgiu do nada, as decisões políticas e de gestão tomadas nos últimos anos, levaram a Santa Casa à beira da falência.
Em particular, à falhada inauguração promovida pelo então secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, que, ao invés de garantir a sustentabilidade do Hospital de S. Paulo, entregou a gestão à União das Misericórdias Portuguesas. Essa transferência, acompanhada de promessas de modernização e reforço de serviços, acabou levando a uma situação de desinvestimento, precariedade e queda na qualidade do atendimento à população.”

A instituição foi posteriormente inserida no Programa Especial de Revitalização (PER), reconhecendo sua insolvência técnica.
A gestão hospitalar, que deveria garantir melhorias, resultou, na prática, em retrocesso para toda a comunidade que depende dos serviços da Santa Casa, incluindo lares, apoio domiciliário e cuidados de saúde primários.
Além disso, Gonçalo Valente, deputado eleito por Beja e candidato à Câmara de Ourique, também é duramente criticado pelos trabalhadores. Promotor de visitas técnicas com o intuito de encontrar soluções, suas promessas de reativar o bloco médico-cirúrgico do hospital nunca se concretizaram. Essas promessas não cumpridas apenas alimentaram uma falsa sensação de progresso, enquanto a instituição afundava em dificuldades.

Após o plenário, os presentes reafirmaram que não aceitarão o silêncio e a inação diante de uma crise provocada por decisões políticas irresponsáveis e má gestão. Entre as ações previstas, está o pedido de reuniões com deputados eleitos por Beja e a Ministra da Saúde, para exigir o pagamento imediato dos valores em atraso, bem como uma avaliação da atuação da União das Misericórdias na gestão hospitalar e a responsabilização política pelas promessas não cumpridas.
Defendem, ainda, a reversão da gestão do Hospital de S. Paulo, entregando-o ao Sistema Nacional de Saúde, como medida essencial para garantir a sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados à comunidade.