A Psicóloga Clínica e da Saúde, Helena Ganchinho, natural de Moura, conhece de perto pela sua experiência, a realidade e os riscos de quem sofre de problemas de saúde mental, situações que culminam muitas vezes em suicídio. “Os sinais de alerta podem ser muito subtis, mas eles estão lá. Alguém que se isola cada vez …

A Psicóloga Clínica e da Saúde, Helena Ganchinho, natural de Moura, conhece de perto pela sua experiência, a realidade e os riscos de quem sofre de problemas de saúde mental, situações que culminam muitas vezes em suicídio. “Os sinais de alerta podem ser muito subtis, mas eles estão lá. Alguém que se isola cada vez mais, que tem mudanças de humor, perda de interesse nas coisas diárias, frases que revelam uma grande falta de esperança. Quem sofre não pede ajuda de forma directa e por isso é tão importante que a família, os vizinhos e a própria comunidade estejam atentos e não deixem passar em silêncio”.

O Setembro Amarelo, é o mês que chama a atenção para a consciencialização da prevenção desta problemática, tendo como ponto de partida a história “triste, mas transformadora”, como sublinhou a psicóloga, de um jovem americano de seu nome Mike, que atentou contra a própria vida e o seu carro, um Mustang amarelo, ficou como símbolo de alerta.
A especialista destacou que em Portugal, “os dados mais recentes mostram que a taxa de suicídio ronda os 8,5 casos por cada 100 mil habitantes, um valor que se mantém abaixo da média europeia. Ainda assim, falamos de quase três pessoas por dia que perdem a vida desta forma — um número que não pode ser encarado como estatística, mas sim como histórias de dor que atravessam famílias e comunidades inteiras”.

A realidade trágica não é igual nas diferentes regiões do país detalhou Helena Ganchinho. “Existem regiões onde o impacto é bastante superior, exigindo atenção redobrada. É o caso do Alentejo, que continua a registar taxas muito acima da média nacional. Entre 2018 e 2020, a região apresentou números mais de 70% superiores ao resto do país, e em anos anteriores chegou mesmo a duplicar os valores nacionais”.
Significa, portanto, que, no Alentejo, “o risco é mais elevado e a vulnerabilidade maior, sobretudo entre as populações mais idosas e isoladas. Falar destes dados é essencial não para espalhar medo, mas para reforçar a consciência colectiva de que a prevenção é possível e urgente. Porque cada número representa uma vida — e cada vida merece cuidado, proximidade e esperança”. É possível prevenir, pedir ajuda porque “falar é cuidar e cuidar pode salvar vidas”.
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