“Os trabalhadores do distrito de Beja vão aderir em massa à greve geral convocada para hoje, dia 3 de junho, rejeitando o Pacote Laboral entregue pelo Governo na Assembleia da República”. É esta a convicção da coordenadora distrital da CGT-IN e da União dos Sindicatos de Beja, Maria da Fé Carvalho.

“A paralisação afeta serviços como educação, saúde, recolha de lixo e transportes, com a maioria a estar encerrada, sobretudo escolas do distrito”, assegurou a sindicalista à Planície.

Este pacote contém medidas que, segundo os trabalhadores, “agravam a precariedade, desregulam horários, fomentam o trabalho gratuito e dificultam a conciliação da vida profissional com a pessoal e familiar. Acresce ainda a tentativa de impor o despedimento sem justa causa, o que afronta o princípio constitucional da segurança no emprego”, confirmou a União de Sindicatos de Beja.

Os sindicatos afirmam que o pacote laboral foi elaborado “à medida dos interesses das grandes empresas, fragilizando os trabalhadores antes, durante e após a prestação do trabalho. Além disso, ataca o direito à greve, à contratação coletiva e à liberdade sindical.

“A greve geral é um momento para os trabalhadores do distrito, independentemente do setor ou vínculo, demonstrarem a rejeição ao retrocesso social e à degradação das condições de vida. Exigem mais salário, melhoria dos direitos laborais e a defesa dos serviços públicos como o SNS, a habitação, a educação e os transportes públicos”, concluem. 

Na saúde, a Coordenadora do SEP - Sindicato dos Enfermeiros Portugueses do Alentejo adiantou à nossa redação que a greve geral de hoje vai provocar o encerramento de serviços no Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, integrado na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, especialmente consultas externas, “criando constrangimentos significativos”.

Apesar da paralisação, os serviços mínimos irão garantir cuidados aos doentes, incluindo nas urgências, que funcionarão com recursos reduzidos.

“Os enfermeiros organizam uma greve nacional para demonstrar descontentamento com o pacote laboral e o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) apresentados pelo Governo, ambos considerados prejudiciais para os direitos da classe.

O pacote laboral, entregue à CGTP-IN no ano passado, inclui normas que os enfermeiros classificam de gravosas, como perdas de direitos e reprocesso. Além disso, o ACT, apresentado em outubro pelo Ministério da Saúde, contém medidas como banco de ordens e alterações unilaterais de horários, contrariando a conciliação da vida profissional e familiar”, declarou Carolina Ribeiro da Delegação Regional do SEP Alentejo.

“Espera-se uma forte adesão dos enfermeiros, com serviços a fechar totalmente, refletindo o clima de desmotivação e insatisfação nas unidades de saúde. A greve pretende alertar os partidos na Assembleia da República para a rejeição destas medidas e reivindicar a valorização da carreira e melhores condições de trabalho”, garantiu a enfermeira.