O Governo aprovou um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva entregue para destilação aos viticultores do Douro, uma medida que deixou “estupefacto” e “em choque” o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).Em declarações à agência Lusa, Luís Sequeira mostrou a sua indignação com esta decisão “não só porque somos contrários à utilização …

O Governo aprovou um apoio de 50 cêntimos por quilo de uva entregue para destilação aos viticultores do Douro, uma medida que deixou “estupefacto" e "em choque" o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA).
Em declarações à agência Lusa, Luís Sequeira mostrou a sua indignação com esta decisão “não só porque somos contrários à utilização de dinheiros públicos para a queima de vinhos sem a componente da promoção", mas também "porque não podemos aceitar que exista uma situação de discriminação em relação ao resto do país", argumentou.
O Ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes a medida em conferência de imprensa para evitar a perda de rendimento dos viticultores.

Explicou que "o Douro tem uma especificidade que devemos atender, é património da UNESCO e, por isso, aprovamos uma resolução de Conselho de Ministros que tem um efeito imediato no que diz respeito a um apoio de 50 cêntimos por quilo (uva) para todos os viticultores e com o objectivo de destilação", afirmou.
Apesar de expressar "total solidariedade" para com o Douro e "com a situação difícil" que os viticultores dessa região estão a viver, Luís Sequeira disse à Lusa que não compreende a decisão tomada em Conselho de Ministros e que significa uma alteração na posição do Governo.

"O que nos chocou, e choca profundamente, é o facto de o Governo ter alterado uma posição que, de resto, contava com o apoio total do Alentejo, nomeadamente no sentido de evitar a utilização de dinheiros públicos para a destilação. É nossa posição há muito tempo que uma das soluções para o sector vitivinícola é, na verdade, apostarmos mais na promoção", defendeu.
O presidente da CVRA disse já ter solicitado uma reunião com caráter de urgência ao Ministro da Agricultura, porque Portugal não pode "ter uma situação em que o Governo da República Portuguesa entende que a única região que deve ter apoio é o Douro".