Mário Cavaco
“A Falácia da Mão de Obra Imigrante: Escravatura Moderna com Selo Institucional”
Portugal descobriu finalmente o seu novo milagre económico, não é a inovação, nem a produtividade, muito menos o mérito, é a confissão pública, essa confissão de um empresário que, com a candura de quem julga estar a dizer algo nobre, afirma: “Se a mão de obra imigrante sair, fecho a empresa.
Não é uma opinião, é mesmo uma certeza, uma certeza de uma dependência de salários miserabilistas, de horários elásticos como pastilha elástica e de um modelo económico que só sobrevive à custa da fragilidade alheia.
Chamam-lhe “necessidade do mercado”, mas eu chamo-lhe o velho vício nacional, explorar com boas maneiras e lavar a consciência com discursos humanistas, porque dizem-nos, com ar grave e dedo em riste, que “há sectores onde os portugueses não querem trabalhar”, mas esquecem-se do facto, com esse miserável ordenado, claro que não querem, assim como ninguém quer jantar restos frios quando há quem, lá fora, sirva refeições completas, em que o problema não é o trabalho, é o valor que lhe dão, pois trabalhar por 920 euros brutos, que se evaporam em impostos e contas até sobrarem cerca de 818 euros líquidos, não é emprego, é sobrevivência administrada
Enquanto isso, mais de 850 mil jovens portugueses emigraram, não por ódio à Pátria, mas por amor à dignidade, porque lá fora, ganham três vezes mais, têm progressão, futuro e, por último, algo que em Portugal se tornou artigo de luxo, respeito profissional.
E depois espantamo-nos, espantamo-nos como se fosse um fenómeno meteorológico inexplicável
Depois a esquerda socialista, sempre pronta a discursar sobre solidariedade, criou um sistema onde a imigração não é integração, é instrumento, instrumento para baixar salários, pressionar direitos e manter um País inteiro na condição de mão estendida, a tal escravatura moderna, Sim, mas com contrato, recibo e selo institucional.
Recordo-me de uma frase atribuída a António Costa: “Não deixamos ninguém para trás.”, é a verdade de "La Palise", não deixam mesmo, puxam todos para baixo, com este legado de um País dependente de mão de obra barata, com fronteiras abertas à pressa e fiscalização fechada por conveniência, tudo muito progressista, tudo muito humano, desde que não se fale dos bairros sobrelotados, das máfias de tráfico laboral ou das empresas-fantasma que vivem da carne humana como matéria-prima
Na Europa, o discurso não é novo, já Angela Merkel disse “Wir schaffen das”, “Nós Conseguimos” e conseguiram, sim, pressão salarial, guetos e um problema que hoje ninguém quer assumir, em que até Emmanuel Macron fala em "imigração regulada", enquanto a economia informal cresce como erva daninha
Mas em Portugal fazemos melhor, fingimos que não vemos e assim se constrói a grande falácia, porque não faltam trabalhadores, faltam salários dignos, não faltam jovens, falta futuro, não falta solidariedade, falta coragem política para dizer que imigração sem regras não é virtude, é negócio
Negócio para quem paga pouco, exige muito e dorme tranquilo, negócio para quem confunde humanidade com utilidade, negócio para um sistema que precisa de pobres para funcionar, tal como a esquerda socialista precisa dos votos dos pobres para se manter no poder.
Portugal tem de mudar, exigir controlo, fiscalização séria, combate real às redes de exploração e, acima de tudo, valorização do trabalho, porque um País que só é competitivo quando paga mal não é competitivo, é cúmplice e convém lembrar, quando a exploração se torna normal, o problema já não é económico, é moral
Vale a pena pensar nisto, antes que nos digam, mais uma vez, que é tudo para o nosso bem.