Gabriel Ramos

Convite à reflexão

Não se iludem, antes pelo contrário, os efeitos das opções políticas de sucessivos governos em que principalmente PS e PSD se têm revezado no turno de serviço.


Opções essas que na atualidade sendo protagonizadas por um governo PSD/CDS, têm o respaldo do Chega e Iniciativa Liberal e o beneplácito do Partido Socialista. Estas opções que visam claramente beneficiar uns poucos em detrimento de muitos tem expressão concreta no concelho de Moura na falta de concretização de aspirações da população, desde a necessidade de melhoria dos serviços de saúde em termos de infraestrutura, equipamentos e recursos clínicos ou no atraso cíclico do cumprimento da promessa de alargamento do bloco de rega às áreas de Amareleja e Póvoa de S. Miguel, abrangendo também Moura.

Mas o que queremos hoje deixar para reflexão é o do papel que nestes processos tem desempenhado a gestão municipal da responsabilidade do Partido Socialista, que prometeu mundos e fundos. Que resolvia o problema do regadio. Que resolvia o problema dos impactos da Rede Natura. Que dinamizaria o setor do turismo. Que resolvia o problema da situação do espaço escolar onde funcionou a Escola Preparatória. E vai-se a ver e nada acontece. Por responsabilidade do governo e, também, por falta de uma postura reivindicativa consequente por parte da câmara municipal, que a pretexto de ser parte da solução, se transforma no curto e no médio prazo na fonte do problema.

E cá temos a barriga de aluguer no caso do Centro de Saúde, da Esquadra da PSP que são da competência do governo e a ausência de intervenção direta na resolução do problema da Ponte do Alcarrache, de responsabilidade municipal e sobre a qual um relatório de 2021 chama a atenção para a necessidade de intervenção.

O processo do Convento do Carmo, que se continua a degradar, está cada vez mais distante de ter uma solução. A recente reprovação de um projeto duma Central Solar na Herdade da Defesa, aparece agora como pretexto para a não realização de um projeto turístico, sendo que para este empreendimento não há qualquer impedimento a não ser, na atualidade, a incapacidade de o mesmo ser concretizado. E temos um Plano de Urbanização em vigor que o contempla, Plano que tem de ser concretizado. E a nível do turismo os indicadores do ano de 2025 falam por si. Portugal cresceu em dormidas em 2,2% e o concelho de Moura apenas 0,4%, isto depois de em 2023 ter tido uma queda de 10,4%. Concelhos da região como Mourão, Reguengos de Monsaraz e Beja, cresceram respetivamente 10,6%, 4,6% e 17,5%. Ou seja, estamos a marcar passo face a outros.

Na área da agricultura, e após sucessivas reduções da área prevista, o alargamento dos perímetros de rega às zonas de Amareleja e Póvoa de S. Miguel também não avançam e assistimos a um adiamento sucessivo da data para a sua realização. E sobre a Rede Natura, o que se assiste é à publicação de um Decreto-Lei que finaliza a criação da Zona Especial de Conservação de Moura-Barrancos, que está para breve a aprovação do Plano de Gestão e que a Câmara, no PDM que aprovou, não obstante as observações feitas pela CDU, foi ainda mais longe que as restrições ambientais agora aprovadas. E em termos reivindicativos, também falta uma postura consequente, quer em termos de impedir o exagero das restrições, quer na visão limitada das compensações a reclamar, que têm de ser para toda a comunidade e não apenas para alguns setores.

Na área da energia, além da reprovação do atual formato do projeto na Defesa, outros tardam em serem concretizados, não se avançando de forma decidida com iniciativas na área do autoconsumo, e já não falando no papel fundamental que a empresa Lógica poderia desempenhar nesta área, mas que o PS decidiu encerrar.

No setor da educação, a opção de querer fazer tudo e mais alguma coisa num novo Centro Escolar, está a atrasar as obras da recuperação do antigo Ciclo, correndo-se o risco de já não ir a tempo de obter o financiamento que lhe estaria destinado.

A postura da Câmara é meramente reativa perante todas estas situações. Daí que o resultado sejam só derrotas. Infelizmente para o concelho e para a população. Por isso deixamos aqui estas observações à reflexão de todos. Tanta conversa, tanta publicação, tanto vídeo, tanta propaganda e depois vai-se a ver e não acontece nada. É necessário outro caminho para o concelho e outros protagonistas na liderança dos órgãos autárquicos municipais. A CDU faz parte dessa solução.