Alcina Souza
“Sejam bem-vindos ao Agrupamento de Escolas de Moura”
Uma Escola é muito mais do que a estrutura que lhe dá forma; paredes, portões, janelas, mesas, cadeiras, projetores e uma infinidade de outros elementos que integram este espaço.
Uma Escola é um espaço de aprendizagem, partilha, crescimento, é um “Livro de Histórias” bem encadernado, com uma aba larga para comportar as muitas páginas dedicadas à vida dos alunos, professores, auxiliares e de todos que por ali passam numa fase das suas vidas.
A Escola é também considerada como a “segunda casa” dos alunos, já que em algumas situações, realmente, as crianças e jovens acabam por passar muito tempo no espaço escolar. Seja como for, certamente todos nós temos memórias de momentos especiais que vivemos na Escola; os amigos que fizemos, o conhecimento que adquirimos, as conversas no recreio, os lugares bonitos que conhecemos nas visitas de estudo!
A Escola é realmente um lugar fundamental na vida dos mais jovens e como é bom quando se sentem acolhidos e cuidados; “abraçados” por toda uma Equipa que deseja e trabalha para ver cada um deles prossiga, com sucesso, na sua jornada de formação. Mas em Moura, a Escola não “abre os braços” para acolher apenas os alunos que residem no município, mas também aqueles que moram em municípios vizinhos, nomeadamente da vila de Barrancos onde não existe oferta formativa ao nível do Ensino Secundário.
Esta não é uma realidade recente, mas que acontece ao longo das últimas décadas.
Conversamos com o Dr. Rui Oliveira, o Diretor do Agrupamento de Escolas de Moura, que partilhou alguns desafios, mas também soluções que a Escola tem encontrado para dar resposta a necessidades mais específicas de alunos que residem longe.
Barrancos, de facto é uma vila pequena na qual não existe Escola Secundária, deste modo, ao longo dos anos, os alunos são acolhidos pelo Agrupamento de Escolas de Moura que os recebe com alegria. Alguns destes alunos têm de acordar muito cedo e realizar uma longa viagem para chegarem até à Escola, dependendo de autocarros que regressam, após as aulas da manhã ou então somente ao fim da tarde.
Segundo o Dr. Rui Oliveira, a Escola tem procurado dar um apoio especial a estes alunos que por vezes, para participarem de alguma atividade ou realizarem um trabalho de grupo, permanecem na Escola durante um longo período, tendo de aguardar o transporte de regresso, já mais tarde. Durante esse tempo de espera, é disponibilizado um espaço que reúne boas condições para poderem estar confortáveis, aproveitando o tempo para estudar ou apenas conviver com outros colegas. Os alunos sentem-se acolhidos e conseguem gerir o seu tempo de um modo produtivo.
Nos dias em que o horário das atividades letivas compreende os dois períodos do dia, alguns destes alunos passam mais de 12 horas fora da sua casa; entre transporte e aulas. É fundamental um cuidado da comunidade escolar, para que estes alunos possam sentir-se encorajados para continuarem o seu percurso de formação, apesar destes desafios.
No entanto, o Agrupamento de Escolas de Moura, não acolhe somente alunos de Barrancos, de acordo com o Dr. Rui Oliveira, também existe um pequeno grupo de alunos de Pias (município de Serpa) e de Pedrogão (município da Vidigueira). Decidem rumar a Moura por diversos motivos; por questões de facilidade nas deslocações, pela boa infraestrutura, pela oferta formativa e pela qualidade do Ensino.
Para Moura vêm também os alunos do Ensino Secundário da vila da Amareleja que embora pertença ao município, também acarreta deslocações diárias consideráveis para os alunos.
Mais recentemente, a Escola tem recebido também um grupo de alunos provenientes do país irmão, Brasil, que vêm temporariamente para Moura no âmbito de um Projeto de Intercâmbio Desportivo. Apesar de não existir a grande barreira linguística, como acontece com os alunos provenientes de outras regiões do globo, representa também um desafio no que diz respeito às diferenças existentes a nível programático entre os dois países, que os professores procuram colmatar de variados modos, prestando o apoio necessário para que possam continuar os seus estudos com sucesso.
Existem também situações, mais pontuais, de alunos naturais de países em que se fala outro idioma e nesses casos, existe um apoio especial ao nível do ensino da Língua Portuguesa.
Para o Dr. Rui Oliveira, estas dificuldades são superadas com trabalho dedicado realizado em conjunto e salienta que percebe a Multiculturalidade na Escola, como algo muito positivo; uma oportunidade para os alunos verem o mundo de outro modo, alargando os horizontes e conhecendo outras culturas e saberes. O Dr. Rui considera esta partilha enriquecedora para todos.
Creio que a frase de Antoine de Saint-Exupéry: “Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.” se adequa muito bem à realidade escolar. Na medida em que cada aluno “deixa um bocadinho de si” na escola, também “leva um bocadinho” da escola consigo e o desejo de todos os que trabalham no Agrupamento de Escolas de Moura, é que cada um leve consigo “na mochila”, boas memórias; dos amigos que fizeram, de lugares que conheceram e do cuidado e apoio de uma Escola que sendo de Moura, sabe receber bem todos.