Durante esta semana a 45ª edição da Feira do Livro de Moura, instalada na Praça Sacadura Cabral até ao próximo domingo, dia 26 de abril, com diversas ações culturais extensíveis ao Cine-Teatro Caridade, será o palco da apresentação de obras de escritores do concelho de Moura, com temas diversificados.

Maria João Borges, Educadora de Infância, “nascida e criada em Moura”, como se identificou em conversa com a Planície, revela pela primeira vez aos mourenses o livro escrito durante a pandemia e inspirado na filha, na altura bebé, a que chamou “O Sonho de Luísa”, da editora Cordel de Prata. Uma história que é na verdade um sonho que se confunde com a realidade onde estão personificadas palavras e frases como a Esperança, a Paz e o viver uma aventura incrível. A escritora foi desafiada pela irmã para participar no concurso da editora em questão e venceu. Editou o livro e as críticas têm sido bastante positivas.

A apresentação é hoje, às 18h00, no evento de Moura dedicado aos livros e à leitura, vivido pela autora com um sentimento de “grande orgulho”, além de estar “bastante agradecida por este convite que me foi feito pela Câmara Municipal de Moura para estar presente, embora o livro já tenho sido editado e publicado há sensivelmente três anos, surgiu agora esta oportunidade e estou muito satisfeita”.

Como moderadores neste final de tarde, a escritora terá ao seu lado a Educadora de Infância, Marisa Baldonado Fialho e o Psicólogo, Bruno Monteiro.

Maria João Borges quer que este seja um momento “muito familiar e muito próximo, que é como eu me sinto com as pessoas aqui de Moura, sou daqui nascida e criada e sinto-me em casa”.

Apesar de mostrar alguma timidez na partilha de outros textos que escreve e que funcionam como “uma espécie de terapia”, como uma necessidade e um impulso, a autora já tem na calha mais um livro infantil e vários poemas que gostava de ver compilados.

Numa outra perspetiva, desta vez histórica, Miguel Santiago, de Safara, dará a conhecer a obra “Caracterização Agrícola do Concelho de Moura, de 1933 a 1974”, que nasce a partir da dissertação de Mestrado defendida o ano passado pelo Historiador.

“Em conversa com a Câmara Municipal de Moura, decidimos publicá-la como livro. O trabalho trata do período do Estado Novo e as questões que se levantam são as seguintes: ‘Porque é que o concelho de Moura é um concelho rural?’ e ‘Quais são as medidas para nos levar a essa ideia?’, uma análise focada na realidade rural, económica e social durante o período assinalado. 

Este trabalho é inédito, de acordo com o autor, já que nunca tinha sido estudado. “Todos os levantamentos foram feitos a partir do arquivo e do Jornal de Moura que existia na época. O Jornal de Moura foi fundado em 1920 e durante todo o período que eu estudo, está em ativo, não sendo regular, mas em atividade. Passamos de um trabalho científico para ter um livro, ou seja, a linguagem tem de ser mais simplificada, algumas partes da dissertação foram retiradas porque não interessam para o público que vai ler o livro, mas penso que não será difícil enfrentar o público e responder às perguntas”, sustentou Miguel Santiago.

O trabalho será exibido esta sexta-feira, dia 24 de abril, pelas 18h00 na 45ª edição da Feira do Livro de Moura.