Os atos de violência física infligida aos idosos e a violência de filhos contra pais ou mães muitas vezes na mesma casa, têm feito parte das notícias de jornais e televisões nos últimos tempos. A violência doméstica em adultos, nos jovens e crianças é um flagelo que parece não ter fim. Até setembro deste ano …

Os atos de violência física infligida aos idosos e a violência de filhos contra pais ou mães muitas vezes na mesma casa, têm feito parte das notícias de jornais e televisões nos últimos tempos. A violência doméstica em adultos, nos jovens e crianças é um flagelo que parece não ter fim. Até setembro deste ano o NAV – Núcleo de Atendimento à Vítima de Beja registou a entrada de 47 novos processos de violência doméstica em adultos e 20 a crianças.
Patrícia Cardoso, assistente social que integra a equipa do NAV, um serviço parceiro da Associação de Mulheres Moura Salúquia, referiu à Planície que as situações de violência de filhos contra pais não têm registado um aumento. No entanto, é preciso que todos enquanto sociedade estejamos atentos a este problema.

A técnica de ação social faz parte de uma equipa que integra assistentes sociais, psicólogos e advogado e que fazem a assistência destes casos. “O acompanhamento é mais desafiador para a equipa técnica, tendo em consideração que a relação de afetividade também é diferente do que se for entre marido e mulher”, explicou.
Para um pai ou uma mãe é difícil reconhecer os filhos como agressores. “Os pais ou mães raramente pretendem uma condenação, mas pedem ajuda para os filhos e muitas vezes não reconhecem que estão a ser vítimas de um crime, pois atribuem a culpa ao contexto que o filho ou a filha poderá estar a passar nesse momento”, sublinhou Patrícia Cardoso.

As circunstâncias em que acontecem estes episódios estão relacionados com diferentes fatores. “Por vezes estas situações acontecem por dependência económica dos filhos para pais ou estão associados também a algum tipo de consumos, quer de álcool, quer de drogas”, situou.
De uma maneira geral, a técnica considera que um dos grandes desafios no seu trabalho e da equipa que integra “é a normalização ou a banalização da violência, muitas vezes olhada como uma questão íntima e respeitante às pessoas envolvidas ou até uma consequência lógica e aceitável de determinadas situações”.
Assegurou que “é fundamental combater estas ideias, reconhecer a violência como um atentado dos direitos humanos a que todos e todas poderemos ter acesso, combater crenças, estereótipos desde cedo trabalhando em contexto de cidadania, igualdade, com as crianças e jovens. É importante levar os serviços a todas as pessoas, desenvolver estratégias que protejam as dúvidas de forma efetiva e que responsabilizem os agressores pela sua conduta”.

Patrícia Cardoso aconselha as vítimas que estejam a passar por situações de violência a procurar ajuda nas estruturas que estão no território “para poder explicar os procedimentos de cada situação para que as pessoas possam tomar as suas decisões informadas”.
“O NAV - Núcleo de Atendimento à Vítima de Beja aconselha a procurar ajuda. Será sempre mais fácil a situação com o acompanhamento técnico para que a pessoa saia dessa situação e que se mantenha segura”, assegura a responsável.
No caso dos idosos dá conta que estas são “situações mais complexas não só pela idade, como pelos laços de afetividade e pela situação financeira. Para a equipa técnica trás sempre um desafio maior”.
Até setembro deste ano, o NAV registou a entrada de 47 novos processos de violência doméstica a pessoas adultas do sexo feminino e masculino e 20 novos casos a crianças. “O apoio psicológico a crianças e jovens vítimas de violência doméstica tem resposta distrital à exceção do concelho de Odemira”, observou a assistente social.

Aconselhou ainda que relativamente às vítimas adultas, “a ajuda deve ser feita a algum técnico de acompanhamento com quem a vítima tenha mais confiança e que depois será encaminhada para nós. Pode ser um médico de família ou um colega de trabalho. Como sabemos estamos a falar de um crime público e deve ser sempre feito um pedido de ajuda”.
Relativamente às crianças, o processo passa por “sensibilizar as escolas para quando detetam estas situações (de violência) entrem em contato connosco para estas crianças terem o devido acompanhamento. Temos duas psicólogas a fazer o acompanhamento psicológico às crianças vítimas de violência doméstica. Na área dos adultos são duas assistentes sociais que acompanham estas situações e trabalham em conjunto com as vítimas para que as mesmas se mantenham em segurança e sejam apoiadas”, afirmou.

Os comportamentos traumáticos na infância podem ser marcantes e ser perpetuados na vida adulta. No entanto, para evitar esse ciclo, “é com este intuito que temos este projeto a decorrer para que as situações sejam acompanhadas logo de início. As crianças são acompanhadas para perceberem o que se passou e encontrar formas positivas para o seu crescimento no sentido de não se repetir estes comportamentos na fase adulta, daí estarmos a falar da sensibilização nas escolas. As escolas devem estar atentas a estas situações”, concluiu Patrícia Cardoso.
Os pedidos de ajuda ao Núcleo de Atendimento à Vítima de Beja, que integra a Rede Nacional de apoio a vítimas de violência doméstica, chegam por iniciativa própria da vítima, através do encaminhamento dos órgãos de polícia criminal e do Hospital de Beja. Os pedidos diários de ajuda são frequentes.

Contactos: Núcleo de Atendimento à Vítima de Beja – Telef.: +351 968 441 691; e-mail: navbeja@gmail.com.
Moura Salúquia – Associação de Mulheres do Concelho de Moura – Telef. +351 967943 646; +351 285 252 409; e-mail: amcmoura@sapo.pt