Devolver as aves de rapina aos céus do Baixo Alentejo
A Associação Portuguesa de Falcoaria (APF) apresenta, no próximo dia 16 de maio, em Mértola, um projeto pioneiro de gestão cinegética que pretende devolver as aves de rapina aos céus do Baixo Alentejo, colocando a falcoaria no centro da sustentabilidade ambiental no Monte Costa Raiz.
Reconhecida pela UNESCO como Património Cultural Imaterial da Humanidade, a falcoaria é aqui promovida não apenas como prática tradicional, mas como uma ferramenta ecológica. A utilização de aves de presa no controlo de populações contribui para o equilíbrio dos ecossistemas e oferece uma alternativa aos métodos mais invasivos da caça convencional.
A iniciativa recupera também uma tradição profundamente enraizada na história portuguesa. Desde a fundação da nacionalidade, a falcoaria foi uma arte associada à nobreza e ao prestígio das cortes, com especial destaque nos reinados de D. Dinis e D. João I. Ao longo dos séculos, Portugal afirmou-se como um centro de referência nesta prática, influenciando o desenvolvimento técnico da falcoaria na Europa.
A escolha de Mértola não é por acaso. A vila mantém uma forte ligação histórica a esta arte, que remonta ao período islâmico. Nessa época, a falcoaria floresceu sob influência das tradições árabes, sendo praticada como uma forma refinada de interação com a natureza.
Hoje, essa herança cruza-se com as condições naturais da região, marcada pelas escarpas do Guadiana e pela presença de várias espécies de aves de rapina, tornando Mértola o cenário ideal para este projeto que alia tradição, conservação e inovação.
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