Desde 2021 à frente do Instituto Politécnico de Beja, Fátima Carvalho decidiu não se recandidatar e explicou as razões à Planície.

“Eu disse sempre em algumas entrevistas que o ter-me disponibilizado para estar à frente dos destinos do IPBeja durante este mandato tem a ver com uma missão. Deixar tudo o que é meu para poder dedicar-me aos destinos da instituição e fi-lo até que as pessoas achassem que eu faria a diferença como o disse sempre. E foi por isso que de facto não me recandidatei”.

Com um percurso académico ligado à Engenharia do Ambiente, a doutorada exerceu funções de docente na instituição de ensino e coordenou o mestrado em Engenharia do Ambiente e a presidência do Conselho Geral.

O balanço destes quatro anos na concretização e realização de projetos foi para a docente bastante enriquecedor.  

“Estaria aqui algum tempo para lhe fazer um balanço fidedigno, mas em termos gerais poder-lhe-ei dizer que em termos de condições de captação de estudantes, nós deixamos uma marca muitíssimo grande que é uma nova residência, uma nova oportunidade para o IPBeja ter uma alavanca de captação que não tinha. Conseguimos criar também na instituição Centros de Investigação, outra grande alavanca porque vai permitir que a instituição tenha condições para passar a Universidade Politécnica e deixamos todas essas condições ultrapassadas, quer isso, quer o sistema de avaliação de qualidade. São pilares que nos permitem avançar para uma Universidade Politécnica, bem como a criação de um doutoramento. Deixamos a instituição com as condições para dar o salto seguinte”.

Acrescentou ainda outros projetos que foram concebidos.

“Também posso dizer outros apoios que criámos para os estudantes. Conseguimos criar uma sala 24 horas para que os próprios estudantes possam estudar a qualquer hora da noite, a chamada sala H2O e também um laboratório na nossa biblioteca que coloca novos meios informáticos, novos meios de interação na nossa biblioteca. Estamos a dar oportunidades de igualdade para quem estuda entre o IPBeja e outros locais quer de Portugal, quer do estrangeiro”.

“Muito resumidamente seriam talvez estes os pilares que deixamos na instituição e que alavancarão o futuro. Tal como eu disse, é sustentar o presente para alavancar o futuro. 

Temos também as bases para criar um centro de agricultura do futuro. Elaborámos um masterplan para a nossa Herdade do Outeiro, esse sim está ainda em papel, mas tem todos os alicerces para no futuro termos algo diferenciador no Alentejo e no IPBeja, para além de muitos concursos que abrimos e todas as ações que fizemos. Estas são as mais marcantes”.

Profissionalmente, Fátima Carvalho revelou que pretende procurar novos desafios. “Para já, o que lhe posso dizer é que em termos legais terei uma licença sabática que pode ir desde meio ano a um ano. Todos os presidentes anteriores tiveram um ano de licença sabática e a partir daí irei procurar novos rumos e novos desafios que é isso que eu gosto de fazer. É criar, deixar marca e realizar-me com isso. Parece-me que tenho ainda muito trabalho pela frente e que irei realizar com persistência como sempre e também com algum sonho”.

Na mensagem de despedida dirigida à Comunidade Académica, a ex-presidente do Instituto Politécnico de Beja fez um balanço positivo dos quatro anos e cinco meses em que esteve na instituição de ensino.

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