Arranca esta segunda-feira, 20 de outubro, mais uma campanha de azeitona referente a 2025/2026, da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), com uma estimativa de produção que varia entre “os 45 e os 55 milhões de quilos de azeitona”, referiu o presidente do organismo e entre “6 a 8 milhões de quilos de azeite”. …

Arranca esta segunda-feira, 20 de outubro, mais uma campanha de azeitona referente a 2025/2026, da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos (CAMB), com uma estimativa de produção que varia entre “os 45 e os 55 milhões de quilos de azeitona”, referiu o presidente do organismo e entre “6 a 8 milhões de quilos de azeite”. José Duarte explicou que este intervalo tão grande de números “deve-se principalmente à incerteza relativamente à produção dos olivais tradicionais de sequeiro”.

Contrariamente ao cenário atual, em junho as previsões eram outras. “Se tivéssemos falado nessa altura as estimativas de produção nos olivais de sequeiro, nos nossos olivais tradicionais que são a maioria da área dentro da cooperativa, estimávamos na altura uma produção muito grande”.
No entanto, os fatores climáticos influenciaram negativamente a produção nesse tipo de olivais, sobretudo “as ondas de calor que se fizeram sentir durante o verão e a falta de chuva em setembro e em outubro, associadas a temperaturas altas”.

Já no que diz respeito aos olivais de regadio, José Duarte prevê uma produção de azeitona de certa forma “idêntica à da campanha anterior e em linha com o que têm sido as produções médias da cooperativa nos últimos cinco anos, a rondar os 45 milhões de quilos de azeitona”.
Importa ainda focar outros aspetos relativamente aos rendimentos do azeite e que devido ao calor nos últimos meses, são para já “baixos”. Sendo a meteorologia um fator decisivo na olivicultura e na agricultura, aguarda-se para já que as temperaturas diminuam e que se obtenham “rendimentos normais para aquilo que são as campanhas”, referiu o administrador da CAMB, isto é, “que seja um rendimento de azeite superior àquele que foi o ano passado e que foi efetivamente um rendimento baixo”, sublinhou.

Em relação à qualidade da azeitona, o empresário agrícola especificou que tem vindo a ser feito um trabalho de monitorização dos olivais da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos, em que é realizado “um controlo de maturação semanalmente e um dos parâmetros que analisamos é a acidez, uma forma de laboratorialmente vermos se os azeites estão ou não com qualidade. Neste momento as acidezes são muito baixas e isso é um fator de qualidade nos azeites o que é perfeitamente normal para esta altura do ano. Esperamos uma campanha com azeites de qualidade”.
No seguimento da conversa, José Duarte ressalva que esta campanha “será muito idêntica à do ano passado, mais curta, com volumes de entregas diárias altos e que atinja o seu pico no mês de novembro, em vez do normal que seria o mês de dezembro”.
Para conseguir dar resposta e fazer face a esta nova realidade, a cooperativa fez alguns investimentos, como explicou a direção. “Aumentou a capacidade de receção de azeitona e principalmente a capacidade de transformação dessa azeitona em azeite. Esses investimentos vão nos permitir reduzir ainda mais o tempo entre a apanha da azeitona no campo e a transformação dessa azeitona em azeite”, referiu.

leia também
Olivum prevê Campanha 2025/26 com produção de azeite perto das 170 mil toneladas

Tal como aconteceu nas ações anteriores, uma das preocupações prende-se com o fator segurança na prevenção de cenários de roubos de azeitona. A campanha “Operação Campo Seguro” da GNR que decorre desde julho deste ano e vai até fevereiro de 2026, previne esse tipo de ocorrências.
José Duarte antecipou o encontro com a GNR e a PSP de Moura no sentido de mostrar as inquietações da Cooperativa Agrícola de Moura e Barrancos e espera ter uma campanha “sem incidentes, que se controlem os roubos de azeitona e que se controle também quem recebe ilegalmente essa azeitona. É só isso que nós pedimos para que tenhamos uma campanha normal a nível de colheita de azeitona”.

Na reta final da entrevista, o presidente da CAMB aproveitou ainda para falar sobre o preço e stocks do azeite. “Em relação ao preço, a leitura que fazemos do mercado é a seguinte: terminámos a campanha de 2024 no dia 30 de setembro e os stocks de azeite a nível mundial estão muito baixos. Associado a uma campanha mais baixa do que aquilo que se previa a nível mundial, não haverá falta de azeite, mas possivelmente poderemos ter um ajuste, uma correção para cima no preço do azeite já que os preços caíram de uma forma muito abruta o ano passado e sem razão aparente. Acreditamos que não vai haver uma subida muito elevada como aconteceu há dois anos porque efetivamente não havia azeite e foi uma forma de regular o mercado”, justificou José Duarte.