Um dos objetivos da construção de duas novas barragens nos concelhos de Beja e Mértola por parte da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA), é sobretudo “aliviar a pressão sobre o sistema Alqueva-Pedrogão já com muitas solicitações e ainda mais a caminho”, segundo explicação do presidente da EDIA à Planície.

“É conseguir mobilizar recursos hídricos de umas bacias hidrográficas que não estão dominadas e que não têm represamentos para poder assegurar caudais ecológicas e não agravar a pressão no sistema referido”, reforçou. 

José Pedro Salema informou que o mais importante neste projeto será aproveitar “os recursos hídricos das bacias da ribeira de Terges e Cobres e da ribeira de Carreiras”, linhas de água afluentes do Guadiana que apresentam “uma distribuição assimétrica ao longo do ano. Este ano foi um bom exemplo disso com janeiro, fevereiro e março ainda com muita água nestas ribeiras, mas se hoje formos a um destes locais, vemos que não passa uma gota de água. É normal ser assim, terem água durante três meses e depois estarem seis meses a seco”. 

O investimento previsto para esta fase na ribeira de Terges e Cobres, concelhos de Beja e Mértola, é de 990 mil euros, acrescido de IVA. O prazo para apresentação de propostas termina a 20 de julho e a execução do contrato deverá decorrer ao longo de 18 meses. Quanto à Barragem de Carreiras, situada no concelho de Mértola, o responsável indicou que o respetivo concurso público deverá ser lançado dentro de cerca de um mês.

Segundo a EDIA, internamente foram feitos estudos prévios para considerar alguns locais possíveis de construção de ambas as barragens. “Fizemos uma avaliação ambiental e a escolha destas duas linhas de água tem muito a ver com isso, com as áreas classificadas de outras ribeiras. Estou a pensar por exemplo na ribeira de Oeiras (atravessa os concelhos de Almodôvar e Mértola) e na ribeira do Vascão (atravessa os concelhos de Mértola e Alcoutim), são as duas classificações de proteção ambiental e ficámos fora desses locais”, assegurou José Pedro Salema.  

A próxima fase consiste em contratar uma equipa de projetistas para definir os locais exatos de construção e minimizar impactos ambientais e económicos. “Perceber se é melhor pôr a barragem ‘aqui’ ou 100 metros mais para à frente, onde é que faz mais sentido do ponto de vista económico, a que nível é que faz sentido explorar a albufeira e quais é que são os melhores locais com os menores impactos para conseguirmos concretizar esses objetivos”, declarações do presidente do Conselho de Administração da EDIA à Planície.  

A construção das barragens poderá arrancar dentro de dois a três anos, anunciou a EDIA. A empresa admite que o investimento deverá atingir várias dezenas de milhões de euros.