Resialentejo reduz deposição de resíduos em aterro de 94% para 15% desde 2012
Empresa do Baixo Alentejo supera metas europeias ao encaminhar 65% dos resíduos urbanos para reciclagem e constrói novo aterro sanitário.
Portugal enfrenta uma emergência ambiental devido à capacidade limitada dos aterros sanitários, com cerca de três milhões de toneladas de resíduos urbanos depositados anualmente em aterros, segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
Em contraste com esta realidade, a Resialentejo, empresa de gestão de resíduos do Baixo Alentejo, conseguiu reduzir a deposição de resíduos em aterro de 94% em 2012 para 15% em 2026, aproximando-se das metas europeias de 10% até 2030.
A empresa tem implementado uma estratégia que cria condições técnicas para preparar os resíduos para reciclagem e reutilização, desviando-os do aterro. Atualmente, a Resialentejo encaminha para reciclagem 65% dos resíduos urbanos que trata, ultrapassando a meta europeia de 63% prevista apenas para 2030.
Para responder à limitação da capacidade do aterro atual, cuja esperança de vida útil é de mais dois anos, a Resialentejo está a construir um novo aterro sanitário que servirá as populações dos oito concelhos onde opera. Este novo aterro poderá ainda disponibilizar uma pequena percentagem da sua capacidade a outros Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos (SGRU), caso sejam cumpridos critérios rigorosos legais, económicos e ambientais.
A nova infraestrutura poderá ser utilizada pelas próximas gerações, dado que as atuais taxas de deposição e a quantidade de resíduos encaminhados para reciclagem permitem prolongar o tempo de vida útil do aterro.
A nível nacional, grande parte dos aterros foi construída nos anos 2000 com uma vida útil projetada para várias décadas, mas muitos esgotaram a sua capacidade em cerca de 25 anos devido à prática predominante de enterrar os resíduos em vez de os valorizar. A fraca adesão dos portugueses à reciclagem contribuiu para este cenário, levando Portugal a ser penalizado pela União Europeia pelo incumprimento das metas de redução da deposição em aterro.
A Resialentejo destaca-se como um exemplo de que é possível inverter a tendência nacional através do investimento contínuo em infraestruturas e da melhoria dos processos de gestão de resíduos, assim como pela consciencialização das comunidades para a redução efetiva da produção de resíduos.
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