APBA defende novas barragens no Alentejo contra críticas da Associação Zero
Presidente da APBA alerta para a desertificação e apoia projetos que aumentem a resiliência hídrica no Baixo Alentejo. A Associação de Proprietários e Beneficiários do Alqueva (APBA) manifestou a sua oposição ao manifesto da Associação Zero que exige a suspensão dos concursos públicos para estudos das novas barragens nas ribeiras de Terges, Cobres e Carreiras.
O presidente da APBA considera que a posição da Zero revela uma desconexão entre o ativismo de gabinete e a realidade de um território em risco, salientando que a EDIA avançou com base numa avaliação técnica rigorosa para reforçar a resiliência do sistema Alqueva-Pedrógão, mobilizando recursos hídricos em bacias ainda não dominadas.
A APBA sublinha que, ao contrário da associação ambientalista que defende a paralisia dos projetos, a Câmara Municipal de Mértola apoia os investimentos, considerando-os essenciais para o desenvolvimento local.
O presidente da APBA destaca que, para quem vive no Baixo Alentejo, a água é a linha que separa a sobrevivência económica da desertificação física e humana, apontando que as ribeiras referidas têm um regime torrencial: apresentam volumes significativos durante poucos meses de inverno e ficam secas a maior parte do ano.
Sem capacidade de armazenamento, é impossível reter a água das cheias para garantir caudais mínimos no verão, pelo que libertar estes cursos de água significaria a perda total da água para o mar em janeiro, deixando os ecossistemas colapsados em julho.
Reter água durante as cheias não é uma agressão à natureza, mas o único escudo eficaz para a proteger face às alterações climáticas, defende a APBA.
O artigo de posicionamento institucional da APBA rejeita a narrativa de que o regadio moderno agrava a crise hídrica, destacando o uso de tecnologias eficientes como sistemas de gota-a-gota com sensores de humidade e dados meteorológicos, que reduziram drasticamente o consumo de água na produção agrícola local.
O presidente da APBA alerta que abdicar da soberania alimentar transferindo produção para países terceiros com grande pegada ecológica não é ecologia, mas irresponsabilidade social.
O texto questiona a agenda alarmista da Associação Zero, considerando que esta colide com a ciência, a engenharia e a vontade das populações locais, e aponta que o ativismo se transformou numa indústria institucionalizada dependente de financiamentos públicos, que inclui fundos ambientais e subvenções europeias.
Segundo a APBA, estas associações mantêm conflitos e crises artificiais para justificar verbas que financiam salários e estruturas internas, mas não apoiam quem trabalha e cuida da terra.
O restauro ecológico é considerado um objetivo nobre, mas a sua instrumentalização para bloquear infraestruturas vitais de armazenamento de água no sul da Europa é um erro histórico.
A APBA defende um Alentejo vivo, sustentável e tecnológico, onde engenharia e natureza cooperam para garantir que a água serve a vida, a biodiversidade e a soberania nacional.
O presidente da APBA conclui: "Não permitiremos que o futuro de uma região inteira seja refém de uma agenda que confunde preservação com abandono".
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